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RESENHA: A Bela e a Fera


A semana especial de A Bela e a Fera continua aqui no blog! E hoje eu trouxe para vocês a resenha da história original e do conto que inspirou filmes, séries e adaptações/releituras (já viram o post da Isa?).  Para quem não sabe A Bela e a Fera é uma história criada por Madame Villeneuve em 1740 e alguns anos depois Madame Beaumont escreveu, em 1756, um conto, ou adaptação, que tornou A Bela e a Fera um clássico conhecido no mundo inteiro.  Ano passado a editora Zahar lançou uma edição linda de bolso com as duas histórias e é claro que eu e a Isa compramos na hora. Mas como esse ano tem o lançamento da live action da animação da Disney, deixamos a resenha para essa semana especial. Com vocês a história original da Bela e a Fera.

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A Bela e a Fera por Madame Villeneuve

Em uma metrópole, um comerciante vê sua vida mudar completamente com uma sequência de infortúnios. Sem casa, sem dinheiro e seus privilégios,  o pobre homem é obrigado a se mudar com seus 12 filhos para uma pequena habitação no meio de uma floresta. A transferência de um lugar repleto de pessoas, festas, empregados e dinheiro foi extrema para os filhos do comerciante, com uma exceção de sua filha mais nova: Bela. A garota foi a única que não procurava defeitos na nova vida da família e procurava ajudar o pai, inclusive nas tarefas domésticas. Isso, além da beleza da jovem que resultou em seu apelido, deixava suas cinco irmãs furiosas. Inclusive, no dia em que o pobre comerciante retornou a metrópole, para conferir se sua embarcação havia retornado em segurança ao porto, as garotas fizeram pedidos luxuosos ao homem, enquanto Bela solicitou apenas uma rosa. Com esperança de que pudesse retornar a ter, pelo menos, metade de sua antiga vida de volta o comerciante cavalgou esperançoso até a metrópole.

Infelizmente seus antigos sócios venderam toda a mercadoria e o homem teve que voltar para casa em uma tempestade. A travessia na floresta se tornou mais complicada graças ao cansaço, até o momento em que o comerciante encontrou um castelo. Lá o homem pode comer, ter uma boa noite de sono e no dia seguinte, ao perceber que não residia ninguém no enorme castelo, pensou que seria um ótimo lugar para viver com sua família. Todos felizes naquele castelo. Estava tudo planejado, mas na hora de ir embora e voltar para casa, o homem se deparou com roseiras e lembrou-se do pedido de sua filha mais nova. A rosa, tão linda, combinava perfeitamente com Bela. Mas ao arrancar uma rosa, uma monstruosa Fera apareceu pronta para matar o comerciante, que pediu misericórdia. A Fera então, aceitou perdoar o pobre homem se o mesmo entregasse uma de suas filhas, de preferência a que solicitou a rosa: Bela.

Parece familiar? Sim, esse início é igual a algumas adaptações da história, como o filme francês de 2014, mas acredito que nenhuma delas chegou tão perto da original. De acordo com a descrição do livro, a Fera é mais horrorosa do que a característica que ouvimos durantes os anos e a maldição que transformou o Príncipe em um monstro não se deve a arrogância do jovem, mas ao orgulho de uma invejosa fada que viu seus planos darem errado pela segunda vez. Exatamente, na história original temos fadas ao invés de uma bruxa, como estamos acostumados a ver nas adaptações cinematográficas. O mais interessante é que todos os acontecimento principais, inclusive o motivo da Bela e a Fera se encontrarem, é em razão ao que ocorreu no mundo das fadas.

Apesar de ser um livro escrito em 1740 a escrita não é complicada, na verdade é de fácil compreensão. Madame Villeneuve me deixou com vontade de conhece-la, porque uma mulher no século XVII escrever uma história tão rica em detalhes e com uma mensagem tão profunda sobre aparências, valores e amor, me deixou maravilhada. Especialmente por ela ser uma mulher e escritora nessa época, acredito que se passasse uma tarde tomando chá com Madame Villeneuve, eu iria fazer muitas perguntas e é claro que boa parte seria sobre de onde veio toda a ideia da história da Bela e a Fera. Uma das melhores partes do livro é quando podemos ter um vislumbre da visão da Fera sobre o que aconteceu com ela e seus sentimentos referente ao que foi lhe foi lançado. Esse detalhe me fez gostar mais ainda da história original e é totalmente perceptível o motivo da Bela e a Fera ter tantas releituras, Madame Villeneuve escreveu uma história tão rica que fica fácil imaginar várias possibilidades de universos, épocas e espécies de A Bela e a Fera.

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A Bela e a Fera por Madame Beaumont

No conto de Madame Beaumont, um comerciante também vê sua vida mudar de uma hora para outra e vai morar no campo com os seis filhos. Assim como na história original, Bela é a única das filhas que não reclama dos infortúnios e aproveita todos os momentos com alegria. Durante uma viagem de seu pai a cidade Bela pede que o mesmo traga uma rosa por não ter nenhuma roseira na região em que moram. Sem imaginar que a simples rosa poderia trazer uma enorme tristeza a seu coração, o comerciante pega uma em um palácio  e encontra uma Fera. O acordo é basicamente o mesmo da história original e, como todos sabem, Bela vai para o castelo sem saber o que o destino lhe reserva.

Por ser um conto essa história é mais curta, mas seu final é completamente diferente da original. Na verdade a de Madame Beaumont é a história que realmente inspirou filmes, como o da Disney. Ao tornar a história em um conto, a escritora tornou A Bela e a Fera mais ”acessível” pois muitas pessoas preferem ler algo mais curto e com menos detalhes. É claro que por ser mais simples, a maneira que Madame Beaumont contou a história não é menos incrível do que a primeira, na verdade ambas são ótimas, só que de maneiras distintas. Se analisarmos a época em que ambas foram escritas é admirável saber que duas mulheres escreveram uma história tão maravilhosa capaz de atravessar os anos e se tornar um dos clássicos mais amados por pessoas do mundo inteiro.


Preciso parabenizar a Editora Zahar pela edição do livro, que está linda! A capa com a Fera segurando uma rosa, com o castelo no fundo e a Bela já tinha chamado minha atenção, além do fato do livro conter a história original e o conto, mas quando eu vi as ilustrações dentro do livro…. foi quando me apaixonei. Não são todas as páginas que contém ilustração, porém as que tem imagens mostram várias versões da Fera e isto deu um complemento as histórias. Ver as interpretações da aparência da Fera tira um pouco aquela visão fixada dos filmes de aparência monstruosa, em uma delas (imagem a cima) a Fera tem o nariz parecido com o de um porco. Quem iria imaginar isso? É interessante pensar em outras características para a Fera e pensar em como Bela se sentia sendo obrigada a encara-lo todos os dias. Então, muito obrigada pelas ilustrações Zahar.

Se você é um(a) fã desse clássico, você TEM que ter esse livro na sua estante. Não se preocupe por ser uma história antiga, como disse a leitura é de fácil compreensão, o conto é incrível e a original com toda certeza vai te surpreender. Quem sabe você não acaba se inspirando e escreveu sua própria releitura? Madame Villeneuve e Madame Beaumont nos deram uma história que vai perdurar por toda a eternidade e vai passar de geração em geração. Não só por conta de suas adaptações, mas também pelas pessoas que vão transmitir a história escrita por ambas para seus parentes, amigos e leitores. Não percam a oportunidade de se encantar mais ainda por esse conto tão antiga quanto o tempo.


Título original: La Belle et la Bête / Autoras:  Madame de Beaumont (versão clássica) e Madame  de Villeneuve (original) / Editora: Zahar  /Nº de páginas: 238  /Ano:  2016

5foninhos

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2 comentários em “RESENHA: A Bela e a Fera

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