Crítica · Série

CRÍTICA: Shadowhunters – 1ª temporada

shadowhunters

Ontem/hoje foi dia de nos despedirmos da primeira temporada de Shadowhunters, a série baseada na saga Os Instrumentos Mortais. E, honestamente, o tempo passou muito rápido! Parece que foi ontem que escrevi o post falando sobre a estreia do seriado e agora estou aqui, escrevendo sobre o final da temporada e minha opinião sobre essa segunda plataforma de adaptação dos livros da Cassandra Clare.

Aparentemente seriados que são adaptação de um livro tem mais tempo para seguir a história que lemos e ser fiel a ela, mas tem uma palavra que impede isso: adaptação. E além de ser uma adaptação, Shadowhunters tinha outro desafio: ser diferente do filme Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos. Então, o que o filme fez igual ao livro, teria de ser diferente no seriado. Desde o começo foi dito que não seria um livro por temporada, que mudanças ocorreriam para surpreender os fãs dos livros e que a série apresentaria personagens originais.

AVISOS: o post contém spoilers da série  e vai ser bem diferente das críticas feitas sobre filmes.

Shadowhunters - The Mortal CupA série começou com as mudanças típicas de adaptação, mas algumas alterações acabaram fazendo com que muita informação aparecesse ao mesmo tempo. Sabemos que Clary também estava descobrindo muita coisa simultaneamente, só que o público que não leu os livros da Cassandra poderia ficar confuso com tantos acontecimentos  e notícias sincronizadas. O Mundo das Sombras, criado nos livros, é imenso e impossível de ser esclarecido nos três primeiros episódios, mas, com o tempo, parte dessas informações foram recapituladas e melhor explicadas  (ainda bem). Alguns dos acontecimentos que foram antecipados no seriado deixaram a história mais interessante, como a transformação de Simon em vampiro. Porque ao virar um ser do sub-mundo, o melhor amigo de Clary começou a participar mais da ação e também parou de ser sequestrado. Enquanto isso, a revelação de que a garotinha é filha de Valentim foi uma das situações que aconteceram muito cedo.

Shadowhunters - CicloDa mesma maneira que o Mundo das Sombras é grande, a história sobre o passado de alguns personagens também é, mas não na mesma proporção. A maneira que Magnus e Luke contam para Clary sobre a Revolta e o Ciclo foi uma das piores partes, porque os relatos foram rápidos e o flashback confuso. Jocelyn e Valentim eram muito novos, tanto que suas aparências eram de adolescentes que acabaram de deixar o colégio, e isso torna difícil a aceitação de que ambos já tinham um filho e Jocelyn estava grávida novamente. Isso deixou uma das partes mais importantes da história sem informações suficientes e coerentes, sendo que as maiores revelações tem ligação com o passado de Jocelyn e Valentim. A transformação de Luke em lobisomem também deixou a desejar, sendo que poderiam ter abordado mais a dificuldade dele ao entrar nessa nova vida.

Shadowhunters - Jace e AlecExcluindo os acontecimentos e esclarecimentos muito rápidos, a série trouxe a oportunidade de algo ser explorado na história que não foi no filme: a ligação Parabatai. Quando um Caçador de Sombras escolhe alguém para ser seu Parabatai e essa pessoa aceita elas se unem para vida toda através de uma runa que os conecta bem mais do que a runa de casamento. É claro que não foi esclarecido tudo sobre essa ligação, mas nas cenas de Jace e Alec era perceptível o tamanho e a força disso, principalmente na parte em que eles brigavam um com o outro. Vamos ver se essa ligação vai ser mais aprofundada na próxima temporada, porque ainda há muito para se falar sobre Parabatais.

shadowhunters stillForam 13 episódios com mudanças, fidelidade aos livros (transformação do Simon), cenas de ação e demônios. Infelizmente a Freeform não tem muito orçamento para alta tecnologia e isso acaba deixando a desejar nas cenas de alguns demônios, tanto nos digitais, quanto nos que é notável ser uma pessoa fantasiada. Mas se levarmos em conta esse fato tecnológico, podemos perceber que a produção da série fez muito bem o que podia nessas cenas. Em compensação, as lutas estão ótimas. Todo o treinamento e ensaio das cenas dos atores, que foram reveladas ano passado durante as gravações da série, foram recompensadas com ótimas cenas de luta. Voltando para a tecnologia, o Instituto mais desenvolvido e cheio de Caçadores de Sombras tirou a magia da antiguidade e quietude do Instituto dos livros, mas trouxe uma modernidade para a série. O que acabou se encaixando nos dias de hoje, sem contar que a história de Clary Fray nos livros se passa em 2007.

Alec-and-Lydia-2

Personagens originais da série como Dot e Lydia acabaram trazendo um novo rumo à história. Uma não durou muito tempo, mas foi importante para o desenrolar do enredo e uma boa versão mais nova da Madame Doroteia. Já Lydia apareceu a mando da Clave e consequentemente se tornou uma personagem que, aparentemente, ninguém iria gostar. Sentenciada por ser a nova comandante do Instituto e, depois, noiva de Alec, a personagem se mostrou diferente do que todos pensavam e acabou ganhando fãs, principalmente quando a Caçadora revelou que não desejava a infelicidade de ninguém, devido ao seu passado. Stephanie Bennett fez um ótimo trabalho como uma nova personagem  e conquistou até mesmo alguns fãs dos livros.

Simon-and-ClaryLogo no início, os atores da série receberam críticas e nem todas foram boas. Katherine McNamara, que interpreta Clary Fray, foi a mais julgada. Nos primeiros episódios a atuação de Katherine não é mesmo uma das melhores, mas também deve-se levar em conta que esse é o primeiro grande papel da atriz, que é a mais nova do elenco, e que ela interpreta uma personagem que perde a mãe e descobre fazer parte de um mundo completamente diferente. Conforme os episódios foram passando e o conhecimento sobre a personagem aumentando, a atuação de Katherine ficou melhor. Os momentos entre Clary e Simon mostram o motivo da escolha da atriz para o papel, o amor entre os personagens, preocupação e carinho são nítidos. Isso também se deve à atuação de Alberto Rosende, que interpretou muito bem as três fases de Simon: mundano, aceitação e vampiro. Alberto transmitiu a bondade e inocência do Simon mundano em seu olhar e ações. Quando seu personagem descobre o Mundo das Sombras e decide permanecer ao lado de Clary, mesmo sabendo que pode morrer, o ator soube mostrar todo o amor e coragem, que o personagem buscou, para enfrentar tudo ao lado da melhor amiga. Mas o destaque é quando Simon se transforma em vampiro e Alberto transparece toda dor e angústia do personagem, principalmente na hora em que ele não consegue pronunciar Deus (isso é muito importante para Simon no livro). E após o personagem aceitar sua nova vida, Alberto continuou com sua ótima atuação com um Simon mais confiante, tomando decisões e mantendo seu bom coração.

Magnus-Clary-Jace O primeiro ator a ser anunciado no elenco de Shadowhunters foi Dominic Sherwood, que trouxe Jace Wayland/Morgenstern à vida. Dominic tem um olho de cada cor, mas isso só deixou o personagem mais charmoso, diferente do cabelo. Mas a atuação de Dominic mostrou um outro lado de Jace, mais sentimental e nem tanto irônico. No começo da série o personagem era mais sarcástico, só que conforme ele foi se aproximando mais de Clary, o Caçador de Sombras de Dominic acabou demonstrando mais suas emoções. Bem diferente do que acontece nos livros, onde Jace continua com sua ironia e improvável demonstração de emoções mesmo estando apaixonado por Clary. Embora Dominic tenha interpretado um dos personagens com mais destaque, acredito que um dos atores que teve o maior desafio foi Harry Shum Jr., porque a maioria dos fãs dos livros amam o Magnus Bane do filme, mas no final fomos surpreendidos e o Alto Feiticeiro do Brooklyn ganhou dois atores que souberam o interpretar perfeitamente. Harry trouxe uma maneira de falar única e movimentos novos e especiais para Magnus ao se locomover ou fazer feitiços. Cada gesto do personagem era leve e parecia uma dança, que combinou muito com o sub-mundano. Além de tudo, Harry também soube passar a experiência de vida do feiticeiro e emoção quando ele recorda momentos vividos.

Shadowhunters - Alec e IzzyOs irmãos Lightwood foram perfeitamente interpretados por Emeraude Toubia e Matthew Daddario. Emeraude tem a aparência de Isabelle, mas foi sua interpretação que comprovou o motivo de ter sido escolhida. A atriz transmitiu pela tela toda a força de Izzy, não só a de Shadowhunter, como também a força da mulher que a personagem é. O andar, a postura e a comunicação passavam toda a confiança de Isabelle com ela mesma e suas decisões. Até mesmo no momento mais difícil da personagem na série, durante o julgamento, Emeraude conseguiu manter toda a sua segurança firmemente. Era impossível não se sentir confiante depois de ver as cenas da Caçadora. Já Matthew Daddario soube transparecer exatamente o que Alec é: o contrário de Izzy. Seu personagem não é confiante e vive conflitos internos, por isso está sempre de cara fechada e mau humor. E foi exatamente isso que Daddario passou para o público, toda a angústia e a briga interna de seu personagem, até o momento em que ele se cansou de tudo e  decidiu seguir seu próprio caminho. Pode ser ousado dizer, mas Emeraude e Matthew nasceram para interpretar os irmãos Lightwood.

Shadowhunters - Jocelyn Luke

Os atores que fizeram os pais dos personagens também foram ótimos. Maxim Roy deixou todos comentando sobre sua cena de luta no primeiro episódio e após o retorno de Jocelyn no último episódio, deixou aquela ansiedade para vermos mais cenas de ação com a mesma. Isaiah Mustafa, que não tem a aparência de um vendedor de livros, fez um ótimo trabalho como um Luke na versão policial, mantendo a essência do personagem e seu amor pelas mulheres Fray. Alan Van Sprang pode ser careca, diferente de Valentim, mas o ator demonstrou brilhantemente a loucura de seu personagem. O brilho em seu olhar ao falar de seus ideais e planos, a maneira de observar a ex-mulher dormir com um misto de saudade e obsessão e a esperança de ter sua família reunida em seu plano no final só provaram que Alan foi a escolha certa para interpretar o melhor pai do mundo.

Shadowhunters - Hodge Maryse Robert

Demorou alguns episódios para o resto da família Lightwood aparecer, mas quando apareceram foi para mostrar porque são tão famosos. Nicola Correia Damude interpretou muito bem a rígida Maryse que não aceita nenhum erro e não se importa se está ou não agradando. Paulino Nunes apareceu pouco como Robert e em suas cenas estava sempre mais tranquilo que a esposa, mas vamos esperar por mais cenas de ambos na segunda temporada. Jon Cor interpretou Hodge de um jeito fantástico, passando a imagem de amigo e professor perfeitamente. Sempre solicito e que sutilmente causava intrigas, para no final revelar que sempre iria servir Valentim. Os vampiros também foram muito bem representados por David Castro trazendo Raphael Santiago para a série e Kaitlyn Leeb a gananciosa e nada confiável Camille Belcourt. Jade Hassouné também fez um bom trabalho como o seelie Meliorn, em suas roupas meio hippie.

Malec beijoA saga Os Instrumentos Mortais terminou ano retrasado, por isso Shadowhunters começou com os shippers formados: Clace, Malec e Sizzy. Infelizmente o último demora para acontecer, mas os outros dois já ganharam seus primeiros beijos na série. Clace começou sutilmente, mas infelizmente algumas cenas pareceram forçadas, como a do cemitério e a runa no elevador. A sensação no início era como se estivessem forçando o casal a acontecer e só depois tudo começou a fluir. O primeiro beijo foi bem diferente do livro, mas colocar a Clary tomando a iniciativa foi uma ótima ideia para mostrar como a personagem estava evoluindo e ficando mais confiante. Já Malec, o shipp que todos amam, demorou mais porque Alec não aceitava quem realmente é. Só que diferente do que aconteceu com Katherine e Dominic, as cenas entre Harry e Daddario simplesmente fluíam com muita química. As conversas de Malec, os drinks, cantadas do Magnus e olhares de ambos, transmitiam tensão e atração. E assim como aconteceu com Clace, ver Alec indo em direção ao Magnus no primeiro beijo não serviu só para alegrar aos fãs, mas também para uma nova fase na vida do personagem, onde ele se aceita e não sente mais vergonha.

Shadowhunters - FinaleO último episódio acabou com Jace ao lado de seu pai em um navio cheio de Shadowhunters que fazem parte do exército de Valentim. Jocelyn acordou, o que vai deixar a série melhor porque se fosse como nos livros seria chato. Camille trouxe a discórdia para o relacionamento Malec e os vampiros desfizeram a aliança com os Caçadores de Sombras. Podemos esperar uma segunda temporada começando cheia de ação e mais problemas, porque é certeza que o clã de Raphael vai tentar alguma coisa. E agora que Valentim possui o Cálice Mortal tudo pode piorar. Pode não ser no início ou meio, mas arrisco dizer que agora que Jocelyn acordou mais revelações virão a tona, como um personagem chamado Sebastian, que pode aparecer muito em breve.

Shadowhunters -Tirando algumas mudanças, eu simplesmente amei a série e acredito que ela só tem a melhorar na segunda temporada e isso inclui até a atuação de alguns atores. Como é a segunda chance de uma das minhas sagas favoritas, não vou perder as esperanças. Um detalhe que ficou muito bom também é a trilha sonora da série, sempre com músicas da cantora Ruelle. Ela esteve presente na primeira cena do primeiro episódio, é a música de abertura e foi o fundo do primeiro beijo Clace e Malec. Agora é aguentar a ansiedade, esperar mais informações da segunda temporada e sua estreia. Mas e vocês, o que acharam da primeira temporada de Shadowhunters?

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Post por: Yasmim Bragaia

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