Livros · Resenha

Resenha: Amy&Matthew

Este é um livro adorável.
Este é um livro terrível.

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Oi gente, tudo bem com vocês?

Faz um século que eu não escrevo uma resenha aqui no blog e eu me sinto uma monstrenga por isso (eu amo essa palavra haha), a questão é que eu não tenho mais tempo para ler como antes. Antes eu lia um livro ou dois por semana, agora eu leio um por mês. Triste? Com certeza. O fato é que o semestre na faculdade está acabando e eu consegui um tempinho livre para ler e o livro escolhido foi Amy&Matthew da Cammie McGovern, que eu ganhei de presente de aniversário da Gabi (a outra chata aqui do blog). Bom, primeiras impressões sobre o livro: a capa me lembrou demais Eleanor&Park da Rainbow Rowell que eu adoro, mas isso um monte de gente também achou. O livro tem esses tons pastéis super fofos e tal, com essas cadeiras coloridinhas. E eu não sei porque raios, mas eu li a sinopse e coloquei na minha lista de desejados no skoob e quando eu comecei a de fato ler, não sabia direito sobre o que se tratava. Isso é a idade, meus caros amigos. Enfim, eu achei até melhor, porque não sou muito de ler a sinopse, se eu gosto do título e do gênero, é o suficiente. Acho que já falei demais, vamos começar essa resenha!

O livro é sobre dois adolescentes que estão terminando o ensino médio, mas não são dois adolescentes comuns. A garota, cujo nome é Amy Von Dorn, que é jovem, bonita e tem uma doença que restringe os movimentos do corpo (ela teve aneurisma* no dia seguinte de seu nascimento, mas, infelizmente, isso não é muito aprofundado no livro. A autora não diz exatamente se ela pode ou não fazer certas coisas como andar sozinha de alguma forma, ou se pode falar sem seu Pathway – um aparelho de fala, como um computador, onde ela escreve e a voz do aparelho fala por ela) e Matthew, alto e magrelo, que tem TOC**, ou seja, um Transtorno Obsessivo Compulsivo relacionado com limpeza e manias estranhas causadas por uma voz em sua cabeça.

Tudo começa de fato quando Amy faz uma redação sobre como não se importa com a sua deficiência e até sente solidariedade com as outras pessoas, por serem menos afortunadas do que ela e Matthew, indignado, diz a ela que ela não pode ser assim tão boazinha e não ligar para todos os problemas que tem. Ela não pode andar sem ajuda de um andador, uma de suas mãos não se abre, ela tem espasmos, não fala, baba muito e tem toda essa vida regrada que pode mudar em um segundo. A questão é que Amy é muito inteligente, se inscreveu para inúmeras faculdades e tem as melhores notas da sala, então na visão dela, ela realmente não tem ”problemas absurdos”, mas ela fica com as palavras de Matthew na cabeça e, por isso, decide que quer dispensar toda a ajuda profissional que tem na escola e buscar alunos como auxiliares, para que assim possa ter amigos pela primeira vez na vida.

Podemos dizer que é um livro sobre amizade, mas também é um romance.

A grande verdade é que ela quer usar esse programa de auxiliares para ficar perto de Matthew e ser sua amiga (ou mais do que isso). A parte legal é que ela conhece outras pessoas, como Sarah, que perdeu a mãe quando era muito jovem, ou Sanjay, que quer ser popular a todo custo. E nós podemos observar que o crescimento da personagem se dá de acordo com suas novas experiências com esses amigos.

Já Matthew tem medo de tudo. Ele sofre com o TOC diariamente e não sente o quanto isso atrapalha em suas atividades. Passa horas lavando as mãos ou batucando nas coisas, só para depois lavar as mãos de novo. E ele só percebe que tem esses problemas quando começa a ajudar Amy. Os dois começam a ter uma amizade tão intensa que um ajuda a melhorar o problema do outro. E é sobre isso que o livro é: Superar as dificuldades e aceitação. Um aceita o outro como é porque ambos tem algum tipo de deficiência, ela por fora e ele por dentro.

O livro é incrível e eu não quero contar spoilers, mas algo acontece do meio para o final e eu achei que foi uma situação desnecessária para a história, não que a deixe menos bonita. Talvez a torne mais real e dê as personagens mais defeitos e qualidades, para podermos nos identificar. Acho que sim, essa é uma boa explicação. Fora esse acontecimento, eu gostei de todo o resto. Há momentos desesperadores e momentos muito bonitos e doces. Quem olha só a capa não faz ideia do que as páginas guardam. É muito bom. Não consegui parar de ler um minuto, sempre que tinha tempo voltava e lia mais um pouco.

*Aneurisma: Aneurisma cerebral, ou aneurisma sacular, é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro. A pressão normal do sangue dentro da artéria força essa região menos resistente e dá origem a uma espécie de bexiga que pode ir crescendo lenta e progressivamente. Os maiores riscos desse afrouxamento do tecido vascular são ruptura da artéria e hemorragia ou compressão de outras áreas do cérebro.

**TOC: Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira. Como um disco riscado que se põe a repetir sempre o mesmo ponto da gravação, eles ficam patinando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas, que ajudam a aliviar a ansiedade.

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Título Original: Say What You Will / Autor: Cammie McGovern / Ano: 2015 / Editora: Galera Record / ISBN: 9788501070180 / Páginas: 336

Post e fotos por: Isabela Sobo

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2 comentários em “Resenha: Amy&Matthew

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