Crítica · Filmes

CRÍTICA: Cinquenta Tons de Cinza


CInquenta Tons de Cinza pôster
Assisti Cinquenta Tons de Cinza nesse sábado (14) com uma amiga que é fã da trilogia. Essa é a primeira vez que faço uma crítica da adaptação de um livro que não li. Na verdade eu tentei ler 2 anos atrás, quando essa amiga me enviou os três livros pelo computador, só que não consegui passar dos primeiros capítulos. Infelizmente a forma como a autora contava a história e a protagonista me deixaram um pouco com sono. E antes que alguém fique nervosa já deixo avisado que conversei com a minha amiga que gosta da trilogia, perguntei sobre as mudanças e o que ficou igual ao livro. Sem contar que fui assistir o filme com a mente aberta, sem pensar que o livro não me prendeu e no que as outras pessoas falam sobre a história.

CRÍTICA
No início já se mostra a diferença no estilo de vida de Anastasia e Christian. Enquanto ela vai para a faculdade e volta para casa em seu fusca velho, ele corre pela manhã, tem um carro novo com direito a motorista e sua própria empresa. Essa introdução é um pouco cliché, mas ótima para apresentar os protagonistas ao público que não leu os livros. Também temos um gostinho da incrível trilha sonora no começo do filme. O momento mais esperado é o encontro dos personagens e por ter lido essa parte, posso dizer que ela não me decepcionou. Esperava ver duas cenas que me fizeram rir e elas aconteceram, a entrada triunfal na sala e a pergunta nada discreta. Foi a primeira vez que risadas foram ouvidas no cinema, mas não foi a única vez. Uma cena bêbada, pegadinha, reações surpresas em determinadas falas, um flagra e outras mostraram o lado cômico da história, mesmo que pouco. O que é bom para um filme que levou curiosos para o cinema apenas para ver as cenas de sexo. Mostrar, ou tentar mostrar, que a história não tem apenas essas cenas e tentar acabar com o estereótipo.

Ana e Christian

O que levou Christian Grey a gostar do sadomasoquismo? O assunto não é explorado no filme (pode ser que seja algo mais explicado no segundo livro), mas a cena que ele conversa com Ana sobre o que aconteceu em sua adolescência foi muito rápida e a confissão sobre sua infância também deixou um pouco a desejar. Isso é uma pena, porque eram as oportunidades perfeitas para aproximar o personagem do público e tentar explicar o motivo de seus gostos singulares. Se você for assistir ao filme pensando que ele só tem sexo, que é abuso sexual, ou achando que vai ser uma droga, essas cenas vão passar completamente despercebidas. Até as inseguranças da Ana sobre o relacionamento dos dois não é bem mostrada. E essa falta de informação e diálogos entre eles falando um pouco sobre sua vida para o outro acaba fazendo com que o público não sinta empatia por nenhum dos dois.

Cinquenta Tons de Cinza
Foi difícil os fãs aceitarem Jamie Dornan e Dakota Johnson nos papéis de Christian Grey e Anastasia Steele, só que os atores provaram que compreendem os personagens e que foram a melhor escolha. Não tem como não gostar da atuação deles, Dakota mostrou toda a inocência, dúvidas, encantamento e amadurecimento de Ana muito bem. Destacando o final, quando percebemos um conflito interno entre a razão, ir embora, e os sentimentos, ficar com quem ama, da personagem. Dornan é ótimo, seu andar, seu olhar e a maneira com que ele fala é capaz de intimidar até o público. Também dando um destaque para o final, a reação dele, o prazer na hora da punição foi a maior prova de que ele é Christian Grey. É impossível falar que os atores não são bons, na verdade eles são ótimos e se jogaram de cabeça para interpretar Ana e Christian.

Ana e Christian

Mesmo a história não tendo um bom enredo, é impossível e hipocrisia falar mal do elenco e da produção. Sam Taylor-Johnson foi uma ótima diretora e conduziu muito bem as cenas, inclusive as que as pessoas estão mais ansiosas para ver. O sexo não é vulgar e nem detalhista (o que deixou alguns fãs chateados), afinal não é um filme pornô. As cenas ficaram sensuais e as músicas que colocaram no fundo combinaram muito, principalmente a da primeira vez oficial e na sala de jogos. Minha amiga ficou arrepiada na que toca Crazy In Love e é possível sentir a intensidade da cena com o começo da música e a situação dos personagens. Falando em música, Love Me Like You Do tem um trecho novo em seu refrão, que só percebi porque cantei ”errado”. A trilha sonora, direção e atuação do filme estão ótimos, sendo o enredo o único problema.

Christian e Ana
Por que o enredo seria o único problema? Por causa do livro. Como disse no início do post, tentei ler e não consegui terminar. A narrativa de EL James não me prendeu e chega a ser bem fraca, por isso o abandonei. É complicado criticar um filme com uma produção tão boa e um roteiro mais ou menos só porque é adaptação de um livro fraco. Só consegui prestar atenção na história quando assisti o filme e perguntei algumas coisas para minha amiga. Os personagens são muito interessantes, tem passado e personalidades que poderiam ser bem explorados. EL James teve uma boa ideia, mas infelizmente ela não soube desenvolver. Talvez por ser uma fanfic, afinal grande parte das fanfic são baseada em livros, animes ou séries e tentamos por um pouco do que tem na história original na nossa. Acredito que se EL James tivesse esquecido a base que a fez pensar em Cinquenta Tons de Cinza a história seria muito melhor. Poderia ter o sadomasoquismo, até porque esse não é o problema, mas uma narrativa e personagens mais fortes.

Por: Yasmim Bragaia

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Um comentário em “CRÍTICA: Cinquenta Tons de Cinza

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